RENDA FIXA LOCAL
Pós-Fixado: Apesar da persistente elevação da taxa Selic em 2023, os títulos públicos ou bancários indexados a até 100% do CDI, ao acompanharem a rentabilidade, acabaram perdendo no acumulado do ano para os retornos dos papéis prefixados e híbridos (IPCA+). Contudo, os ativos pós-fixados ainda registraram ganhos reais significativos, superando a inflação, com notável estabilidade, apesar da volatilidade quase nula. Nesse contexto, com a recente revisão para baixo de nossa estimativa para a Selic terminal em 2024, agora em 9,0%, antecipamos um retorno esperado de curto/médio prazo mais modesto para essa classe. Isso sugere uma possível redução de espaço nas carteiras de perfil moderado e agressivo, embora permaneçam como a principal exposição nas carteiras de perfil conservador, especialmente para horizontes de investimento mais curtos, como reserva de emergência e/ou gestão de caixa.
Inflação: Em nosso cenário base, projetamos que a inflação medida pelo IPCA se mantenha ligeiramente abaixo dos 4% nos próximos dois anos. Vale ressaltar, contudo, que historicamente, as projeções de inflação no Brasil tendem a ser subestimadas, com o IPCA frequentemente ultrapassando as estimativas. No atual contexto, a política fiscal emerge como um vetor de preocupação de longo prazo para a inflação no Brasil. Portanto, mesmo com o IPCA recente em patamar inferior aos últimos dois anos, tornando o carrego menos atrativo, recomendamos manter uma parcela considerável de títulos e/ou fundos atrelados à inflação como proteção contra seu impacto ao longo do tempo, especialmente diante da imprevisibilidade de sua trajetória em prazos mais extensos. Além disso, essa estratégia pode se beneficiar de retornos ampliados em cenários de corte da Selic, como o atual.
Prefixado: Os títulos prefixados apresentaram retornos ajustados ao risco notavelmente atrativos em 2023, impulsionados pelo início do ciclo de redução de juros. A continuidade desse movimento de queda da Selic sugere que esses títulos ainda podem proporcionar ganhos adicionais de marcação a mercado. O novo cenário de uma Selic ainda mais baixa do que anteriormente estimado para o final do ciclo de afrouxamento monetário, agora em 9%, pode oferecer pontos de entrada mais atraentes para esses papéis no curto prazo, sem a necessidade de prolongar excessivamente os vencimentos, levando em consideração os riscos fiscais.
Crédito Privado: A queda expressiva de mais de 4% na taxa básica de juros, partindo de 13,75%, e o significativo estreitamento dos spreads de crédito em CDI e IPCA (incentivado) desde os picos observados nos primeiros meses de 2023 são fatores essenciais para a normalização do mercado de crédito nos próximos meses. As empresas, diante dessas condições mais favoráveis, terão melhores oportunidades para reequilibrar a capacidade de pagamento de suas dívidas. Contudo, na atual fase do ciclo econômico brasileiro, a disparidade dos spreads entre setores e papéis deve persistir, demandando uma cuidadosa seleção dos ativos aos quais se expor. Recomenda-se uma abordagem seletiva, podendo delegar essa responsabilidade a um gestor de fundos de crédito, especialmente em um cenário em que os estreitamentos dos spreads de crédito parecem estar mais limitados, tornando o carrego desses spreads a estratégia aparentemente mais vantajosa.
MULTIMERCADOS
Os últimos meses de 2023 trouxeram alívio ao desempenho recente da classe, especialmente para os fundos Macro. As posições favoráveis aos ativos de risco brasileiros, adotadas por grande parte dos gestores, foram as principais contribuintes para os retornos positivos, impulsionadas pelo crescimento da bolsa, valorização do real e redução dos juros reais no país. Os fundos multimercados desempenham um papel crucial ao adotar estratégias pouco correlacionadas entre si e com outras posições das carteiras, proporcionando expectativas de retorno mais elevadas sem necessariamente aumentar o risco (volatilidade). Esses fundos, de perfil mais tático, utilizam diferentes instrumentos para extrair resultados dos mercados locais e globais.
Mantemos um portfólio que privilegia gestores Macro, mas com uma boa diversificação em estratégias Long & Short e Quantitativas, além dos multimercados globais, que revisamos para uma visão neutra em termos de perspectivas, buscando estratégias pouco comuns na indústria local de fundos.
RENDA VARIÁVEL LOCAL
Sustentamos uma visão positiva para as ações brasileiras. Acreditamos que os fluxos podem permanecer robustos em 2024 devido a três principais fatores: 1) a valuation ainda está consideravelmente descontada em diversas métricas; 2) a perspectiva de continuidade dos fluxos estrangeiros e o retorno dos investidores domésticos; e 3) a plena execução do ciclo de flexibilização monetária.
O Brasil destaca-se como um mercado que supera as expectativas de crescimento, com uma trajetória de políticas econômicas mais sólida do que o previsto e um baixo risco geopolítico, tornando-se um "porto seguro em meio à tempestade". A posição adiantada da economia brasileira em termos de política monetária em relação aos seus pares globais tende a favorecer o desempenho dos ativos de renda variável local, como as ações.
Os principais riscos incluem a dinâmica fiscal doméstica e a situação macroeconômica global.
RENDA FIXA GLOBAL
Apesar do recente ajuste nas taxas dos títulos americanos e de outros países desenvolvidos, a renda fixa global, especialmente a americana, continua a ser a classe de ativos internacionais preferida. Os retornos, ainda atrativos e ajustados ao risco, tornam essa classe atraente tanto para alocação via fundos quanto para investimentos em títulos ou bonds de alta qualidade. Além disso, a preferência pela renda fixa global é fortalecida pela sua capacidade de desempenho em cenários alternativos, como uma possível recessão na economia americana, que poderia resultar em um fechamento mais abrupto na curva de juros dos EUA — uma opcionalidade que a renda variável não oferece.
Permanecemos cautelosos em relação a grandes exposições a ativos de maior risco (high yield) e ao aumento excessivo de duration, mesmo nos títulos e fundos menos arriscados e de prazo mais curto, devido aos retornos esperados já serem bastante favoráveis.
RENDA VARIÁVEL GLOBAL
Persistem em 2024 muitos dos motivos que fundamentaram as perspectivas desfavoráveis para as bolsas globais no ano anterior. A inflação relativamente persistente nos países desenvolvidos mantém os banqueiros centrais em estado de alerta, principalmente em um contexto em que o mercado de trabalho permanece aquecido, exercendo pressão sobre os preços dos serviços. Nesse cenário, as taxas de juros devem manter-se elevadas, a menos que ocorra uma rápida entrada em uma recessão econômica global.
A visão cautelosa ganha força diante da continuidade do processo de aperto quantitativo pelo Federal Reserve (Fed) e da consequente redução da liquidez no sistema. Adicionalmente, observamos uma redução na poupança acumulada das famílias e uma crescente necessidade de refinanciamentos a taxas de juros mais elevadas, tanto por parte de empresas quanto de pessoas físicas. Tudo isso ocorre num cenário em que os governos enfrentam desafios para justificar aumentos em seus déficits fiscais como estímulo econômico, e as projeções de crescimento começam a sinalizar uma desaceleração.
Destacamos que a visão negativa para a renda variável global implica em manter exposições abaixo das médias históricas para essa classe de ativos, especialmente em horizontes mais curtos. Apesar disso, os portfólios de perfil moderado e agressivo continuam mantendo exposição significativa a essa classe de ativos, reconhecendo sua importância mesmo em contextos desafiadores.
É fundamental ressaltar que a abordagem cautelosa não significa uma completa exclusão da renda variável global. Pelo contrário, busca ajustar estratégias para um ambiente mais complexo, mantendo a flexibilidade para aproveitar possíveis reviravoltas ou oportunidades que possam surgir nos mercados internacionais.
Essa é a visão da ADA Wealth.
No mais, o que precisarem, estamos à disposição.
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