PERSPECTIVA DE ALOCAÇÃO POR CLASSE DE ATIVOS

 PERSPECTIVA DE ALOCAÇÃO POR CLASSE DE ATIVOS



RENDA FIXA LOCAL Pós-fixado – No cenário atual, prevemos uma redução de 50 pontos base por reunião do COPOM, o que sugere que a taxa Selic deve encerrar 2024 em torno de 9,00% ou muito próxima desse valor. Isso implica em um CDI acumulado no ano próximo ou ligeiramente abaixo de 10%. Considerando uma projeção de IPCA de 3,7% para 2024, isso proporciona a essa classe de ativos um ganho real de aproximadamente 6% durante o ano. Apesar disso, é importante observar que, ajustando esse retorno ao risco, a renda fixa pós-fixada parece continuar atrativa para compor mais de 60% das carteiras de perfil conservador, embora não deva exceder 1/4 das carteiras moderadas e agressivas. Destacamos, no entanto, que outras classes de ativos, inclusive dentro da renda fixa, podem potencialmente apresentar desempenhos superiores em um cenário de queda da taxa Selic. Inflação – O processo de desinflação está se consolidando, e espera-se que o IPCA se estabilize em torno de 4% nos próximos meses. Entretanto, a curva da inflação implícita, embora também esteja mostrando sinais de acomodação, ainda se encontra acima da projeção do IPCA feita por nós. Além disso, há alguns riscos de curto e médio prazo no horizonte, que podem exercer resistência ao processo de desinflação no Brasil. O principal ponto de preocupação a longo prazo continua sendo nossa política fiscal. Apesar desses desafios, mantemos uma visão otimista em relação às exposições em títulos IPCA+ e/ou fundos que ofereçam essa exposição, como os de debêntures incentivadas.


Prefixado – Após um forte desempenho em 2023, esperamos prêmios mais modestos na classe de ativos, especialmente para exposições por meio de títulos públicos. Daqui para frente, as oportunidades se tornam mais pontuais para aumentar a exposição, podendo surgir com eventuais mudanças na curva nominal de juros ou por meio de emissões bancárias e privadas com risco de crédito mais elevado, o que implica em maiores prêmios. Para considerar novos aumentos de exposição a essa classe de ativos e/ou para alongar os vencimentos sugeridos, é necessário ter uma maior clareza sobre uma melhora estrutural na dinâmica fiscal brasileira a longo prazo.


Crédito Privado – Mantemos nossa recomendação de cautela, uma vez que os spreads de crédito ainda estão em níveis elevados, o que pode indicar um certo grau de incerteza por parte da maioria dos investidores em relação ao cenário brasileiro de crédito. Os juros permanecem em dois dígitos, e muitas empresas que foram impactadas pelo cenário macroeconômico desafiador recente podem levar algum tempo para apresentar melhorias sustentáveis em seus balanços e resultados. No entanto, é importante ressaltar que o retorno nominal dos títulos permanece atrativo, oferecendo oportunidades interessantes no crédito privado para empresas bem posicionadas no mercado.


A variação no comportamento dos spreads entre os diferentes setores pode se tornar mais evidente. Setores mais estáveis, como Saneamento e Energia, devido à sua menor sensibilidade a movimentos na economia e nos mercados, tendem a ter um comportamento mais alinhado com os índices de referência. Por outro lado, setores mais correlacionados com a economia, como Indústria e Consumo, podem apresentar maior volatilidade.


RENDA FIXA GLOBAL

A renda fixa global continua sendo nossa classe de ativos internacionais favorita, oferecendo um retorno esperado elevado, especialmente quando consideramos o ajuste ao risco. Mantemos nosso foco em fundos, títulos e bonds de alta qualidade. Além disso, vemos com bons olhos os títulos corporativos que demonstram resiliência e possuem balanços saudáveis para enfrentar um ciclo de aperto monetário como o atual.


Para exposições adicionais em outros tipos de títulos, estruturas de crédito e estratégias, recomendamos a utilização de fundos de gestão ativa. É importante calibrar essas exposições de modo que o prazo médio desses títulos, somado ao prazo dos fundos de renda fixa global, não ultrapasse 3 a 4 anos.


MULTIMERCADOS

Realizamos uma recalibragem visando alinhar nossa exposição aos Multimercados com a média estrutural que essa classe apresenta ao longo do tempo.


Esta decisão é sustentada por algumas hipóteses: (i) Os gestores de fundos Multimercados devem estar em melhor posição para extrair retornos dos mercados, especialmente do mercado de juros, em um momento em que há uma maior sincronia nas políticas monetárias dos diferentes países; e (ii) O retorno acima do CDI em janelas móveis de 12 meses se distanciou consideravelmente (para baixo) da média histórica, o que sugere que, caso os retornos se aproximem ao menos dessa média nos próximos meses, os fundos Multimercados teriam um retorno esperado bastante atrativo em comparação com outras classes de ativos.


RENDA VARIÁVEL LOCAL

O mercado de renda variável brasileiro está vivenciando uma conjuntura favorável. As estimativas de Lucro por Ação do Ibovespa têm sido revisadas para cima nos últimos meses, enquanto os valuations das empresas permanecem atrativos quando analisados por diversas métricas, como Preço/Lucro, Preço/Valor Patrimonial e Dividend Yield.


Além disso, há perspectivas positivas de impulso no mercado de ações brasileiro decorrentes de uma possível melhoria na narrativa macroeconômica global, indicando a viabilidade de um "pouso suave" da economia dos EUA. Vale destacar que, em períodos de cortes de juros, o Ibovespa registrou uma valorização média de 35% nos últimos 20 anos (três vezes o CDI no período), enquanto as Small Caps apresentaram uma valorização média de 45%.


Acreditamos que ainda há espaço para aumentar a exposição à bolsa em nossas carteiras. No entanto, estamos avaliando cuidadosamente o momento ideal para incluir esses e outros ativos de risco.



RENDA VARIÁVEL GLOBAL

Embora reconheçamos que as chances de o Fed alcançar um "pouso suave" da economia americana tenha aumentado, acreditamos que o mercado está atribuindo uma probabilidade excessivamente alta a esse cenário, precificando uma situação extremamente otimista na qual a economia não desacelera, os juros caem, o desemprego não aumenta e a inflação permanece controlada. Diante disso, vemos um potencial limitado de valorização para índices de ações como S&P 500 e Nasdaq 100, e estamos buscando oportunidades em outras regiões, como Europa e China, e em setores mais defensivos, como Saúde, Utilidades Públicas e Bens de Consumo.


É importante ressaltar que o prêmio de risco do S&P 500 em relação às Treasuries de 10 anos, atualmente próximo a 3%, está significativamente abaixo da média dos últimos 5 anos, que é de pouco mais de 5%.


Esta é a visão da ADA Wealth sobre as classes de ativos, considerando o atual panorama econômico. Nossa abordagem de investimento é fundamentada em objetivos, seguida de alocação de ativos e alinhada com o ciclo econômico.


Constantemente buscamos compreender os dados econômicos para antecipar com precisão a direção e a probabilidade de cada classe de investimento alcançar nossas expectativas.


Ficamos muito satisfeitos em apresentar este material e esperamos que tenha sido útil.



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