VOCÊ TAMBÉM ODEIA A PREVIDÊNCIA PRIVADA?

A escolha do título não foi feita à toa!

                             

Infelizmente, ao longo do tempo, o assunto foi muito deturpado. Concordo que muitos fundos previdenciários foram comercializados de maneira errada, e produtos de qualidade duvidosa em termos de custos e resultados foram amplamente vendidos por bancos.

Quando um investidor não conhece algo e, na primeira experiência, não consegue atingir o objetivo determinado por erros, é natural que desenvolva aversões ao assunto. No Brasil, muitos investidores tiveram uma má primeira impressão exatamente por esse motivo.

A vantagem atual é que, graças ao acesso à informação proporcionado pela internet, podemos ter uma noção do que realmente é bom e o que não é. E começo dizendo que a previdência privada é ótima, mas apenas para quem precisa. Mas será se eu preciso de uma previdência privada?

Quando se trata de construção patrimonial, é interessante levar em consideração diversos outros aspectos, como planejamento fiscal, tributário e sucessório. Afinal, o objetivo ao investir não é apenas obter ganhos com a valorização dos ativos, mas também reduzir os custos, sejam eles impostos ou taxas administrativas, além de usar ferramentas que facilitam uma eventual sucessão. E uma das ferramentas que nos possibilita rentabilizar o capital, deduzir impostos, proteger o patrimônio e sucedê-lo é a previdência privada. Ao falarmos sobre previdência, é comum mencionar as siglas PGBL e VGBL. O PGBL (Plano Garantidor de Benefício Livre) oferece vantagens significativas para investidores com renda tributável que optam pela declaração completa do imposto de renda. Ao contribuir para um PGBL, é possível obter uma redução de até 12% na base de cálculo do imposto de renda devido, gerando uma economia (restituição), conhecida como dedução fiscal. Já vi pessoas restituirem de R$6 e até 32 mil reais ao ano, com a estruturação de um planejamento fiscal utilizando previdência. Além disso, é válido mencionar que à medida que o investidor contribui por mais tempo, a alíquota do imposto de renda sobre os ganhos no fundo previdenciário diminui gradualmente. Existem dois regimes de tributação comuns: Tabela Progressiva e Tabela Regressiva. No regime de tributação da Tabela Progressiva, os resgates da previdência privada são tributados de acordo com uma tabela que varia de 0% a 27,5%, dependendo do valor resgatado. Quanto maior o valor do resgate, maior a alíquota aplicada. Já no regime de tributação da Tabela Regressiva, a alíquota do imposto é determinada pelo tempo de acumulação do investimento. Quanto mais tempo o dinheiro permanecer investido, menor será a alíquota aplicada sobre os rendimentos no momento do resgate. As alíquotas da Tabela Regressiva variam de 35% para resgates efetuados em até 2 anos, e a cada intervalo de 2 anos, a alíquota reduz em 5%, podendo chegar a apenas 10% quando o resgate é efetuado após 10 anos de acumulação. É importante destacar que a incidência do PGBL é sobre o valor total do resgate, e não apenas sobre o rendimento da previdência. No caso do VGBL (Vida Garantidor de Benefício Livre), embora não haja benefício fiscal na fase de acumulação, o diferencial está no momento do resgate. O investidor é taxado apenas sobre o rendimento obtido, não sobre o valor total acumulado como o PGBL. Essa característica pode ser vantajosa para aqueles que preveem estar em uma faixa de imposto mais baixa na aposentadoria e para quem deseja ter uma previdência complementar, mesmo optando pela declaração simples do imposto de renda. Uma das características favoráveis da previdência privada é a ausência do mecanismo de come-cotas. Enquanto em outros tipos de investimento, como fundos de investimento em geral, ocorre a antecipação do pagamento de imposto semestralmente, na previdência privada esse mecanismo não existe. Isso significa que o investidor pode aproveitar o efeito dos juros compostos de forma integral, o que potencializa o crescimento do patrimônio no longo prazo. Outro aspecto relevante é a questão do inventário. Ao contrário de alguns ativos, como imóveis, que podem gerar complicações e custos no processo de inventário, a previdência privada possui uma característica de ser transferível por meio de beneficiários indicados. Isso significa que, em caso de falecimento do titular, o saldo acumulado na previdência privada pode ser transferido diretamente para os beneficiários, evitando a necessidade de passar pelo processo de inventário, que hoje custa entre 15% e 20% do valor total do patrimônio. Ao utilizar a previdência privada de forma estratégica e alinhada aos objetivos financeiros, é possível aproveitar todos os benefícios gerados pelo produto. Vale ressaltar a importância de buscar informações claras e de qualidade, bem como contar com o auxílio de profissionais especializados para fazer escolhas adequadas. Em conclusão, a previdência privada é uma ferramenta valiosa para o investidor preocupado em acumular patrimônio, proteger seus ativos, reduzir custos fiscais e planejar sua sucessão. Ela oferece benefícios fiscais, permitindo a dedução de impostos e redução da carga tributária ao longo do tempo. Além disso, a escolha entre os planos PGBL e VGBL e os regimes de tributação da Tabela Progressiva e Tabela Regressiva oferecem opções flexíveis de acordo com as necessidades individuais, como também a possibilidade de fazer portabilidade de fundos, facilitando uma troca em um eventual desejo. E ai, continua odiando a previdência privada ou mudou de ideia? Espero que tenha contribuído! Um forte abraço. A. Duarte Júnior, Consultor. @a.duartejunior

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