O QUE VOCÊ TENTA SUPERAR AO INVESTIR?

O que mais me chama a atenção ao montar um planejamento patrimonial para algum cliente é o fato da maioria não ter planos bem definidos - não julgando, até porque se todos tivessem a expertise necessária, não me contratariam.

Mas o fato de não terem um plano definido e bem coerente com o contexto e momento de vida atual, faz com que os erros sejam originados a partir daí. Um investidor sem um plano, acaba caindo muito na narrativa da rentabilidade máxima e acaba esquecendo do elemento mais importante dentro do portfólio de investimentos que é o risco.

A relação de risco e retorno precisa, necessariamente, ser positiva, para que o(a) investidor(a) tenha uma vida longa quando se diz respeito aos investimentos. E uma boa relação é quando o retorno que você obtém justifica o risco que você toma.

Um investidor que adiciona 10% de risco para obter 8% de retorno, terá boas chances nesse mercado? Obviamente a probabilidade se encontra contra ele. Mas o objetivo aqui não é necessariamente esse. É mostrar que não precisamos correr atrás de bater um benchmark (parâmetro) para ter sucesso enquanto investidor(a). E é exatamente aqui onde entra o investidor sem plano. Ele acaba correndo atrás de superar algum índice que o mercado escolheu para os investidores "superarem".

Todo o meu trabalho enquanto planejador patrimonial se baseia em uma metodologia conhecida por GBI (Goal Based Investing). Essa abordagem é uma forma de alcançar objetivos específicos, orientando a gestão de investimentos. É um método que se baseia em metas, o que significa que ele ajuda a direcionar as ações para alcançar resultados claros e bem definidos. Isto é, sem um plano, não há estratégia de investimentos.

Mas antes de tudo, eu deixo aqui a minha provocação. No final das contas, por que você investe? Eu olhando por uma ótica mais filosófica, consigo interpretar o mercado financeiro como um meio para fazer manutenção de riqueza, e não geração - a não ser que trabalhemos nele.

De um lado (trabalho), geramos riqueza. Do outro (investimentos), mantemos riqueza. E a única maneira de manter riqueza é tendo ganhos acima da inflação, que hoje, é o maior inimigo de qualquer pessoa, quando se trata de finanças. Se a inflação acelera mais do que os seus ganhos, o poder de compra é corroído, fazendo com que fiquemos pobres sem perceber. Sabe aquele amigo ou familiar que ainda deixa dinheiro debaixo do colchão achando que está fazendo um baita negócio? Ele está perdendo muito dinheiro sem conseguir mensurar.

Nesse caso, se o objetivo central dos investimentos é manter a riqueza, o único benchmark que devemos superar é a inflação.




Então, Antônio, não faz sentido comparar a minha rentabilidade ao CDI? Não! E ao Ibovespa? Também não. Nenhum deles consegue nos responder se estamos tendo ganhos ou perda de poder de compra.

Para o investidor conservador, coloco como meta de rentabilidade média ao ano o IPCA (Inflação) + 2%; para o moderado IPCA+4%; para o arrojado, IPCA+6%. Ou seja, nenhum deles busca superar CDI ou Ibovespa, porque no final das contas, não faz sentido.

Minha sugestão é que, a partir de agora, você, caro leitor, pare de comparar seu portfólio ao CDI e Ibovespa e comece a entender se está tendo ganho de poder de compra. Mas antes de tudo, monte um plano.

Na próxima vez, falaremos sobre GBI (Goal Based Investing). Espero que eu tenha contribuído. Um forte abraço e até mais...

A. Duarte Júnior, Consultor.

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